Teófilo Otoni é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Pertence à Mesorregião do Vale do Mucuri e Microrregião de Teófilo Otoni e localiza-se a nordeste da capital do estado, distando desta cerca de 450 km. Ocupa uma área de 3 242,818 km², sendo que 19,62 km² estão em perímetro urbano, e sua população foi estimada em 2014 em 140 567 habitantes, sendo então o 18º mais populoso do estado.

A sede tem uma temperatura média anual de 23 °C e na vegetação do município predomina o cerrado, com algumas ocorrências de Mata Atlântica. Com 82% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com 74 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,701, considerando-se como alto em relação ao estado.

A região começou a ser desbravada no decorrer do século XVI, em expedições que visavam a encontrar ouro e diamante na região, porém somente em 1853 é que chega ao lugar a chamada “Companhia de Comércio e Navegação do Mucuri”, que tinha objetivo de povoar o Vale do Mucuri e era comandada por Theophilo Benedicto Ottoni. Este fundou o núcleo pioneiro à margem do rio Todos os Santos no dia 7 de setembro daquele ano. Tendo recebido uma considerável quantidade de imigrantes, principalmente alemães, com o passar do tempo o município descobriu sua vocação econômica para a exploração de pedras preciosas, sendo considerada hoje a “Capital Mundial das Pedras Preciosas”.

Além de se destacar no setor de exploração mineral, Teófilo Otoni também possui alguns atrativos turísticos de valor cultural ou histórico, como o Prédio da CEMIG, que releva-se pela sua arquitetura e história, tendo sido fundado em 29 de fevereiro de 1928; a Praça Germânica, onde o prédio situa-se, que foi construída em homenagem à imigração alemã na cidade; e a Igreja Matriz. Também há eventos de relevância regional ou mesmo nacional e internacional, como a Feira Internacional de Pedras Preciosas (FIPP), a Festa da Descendência Alemã e o Festival de Teatro de Teófilo Otoni (FESTTO).

História

As terras do atual município de Teófilo Otoni começaram a ser desbravadas ainda no século XVI, em expedições que visavam a encontrar ouro e diamante na região. Nas décadas seguintes destacaram-se as de Sebastião Fernandes Tourinho (1573) e Antônio Dias Adorno (1580), sendo que ambas contribuíram para que fosse feito um “mapeamento” da região. O lugar continuou desabitado até o começo da década de 1750, quando afixa-se o mestre de campo João da Silva Guimarães. Na mesma época também é construída, a mando de Antônio José Coelho, a Fazenda Mestre Campota; hoje sede da Colônia Francisco Sá, que reúne colonos nacionais, alemães, austríacos e outros.

Com as terras originalmente ligadas à antiga Comarca do Serro Frio e depois ao município de Minas Novas, a história do município liga-se à história de seu fundador, Theophilo Benedicto Ottoni, que, após renunciar ao seu mandato de deputado, iniciou a colonização do Vale do Mucuri com a fundação da chamada “Companhia de Comércio e Navegação do Mucuri”, em 1847. Para marcar o encontro das duas grandes expedições que partiram em direções diversas, foi fundado, em 7 de setembro de 1853, o núcleo pioneiro, à margem do rio Todos os Santos, denominado Filadélfia, em homenagem à cidade homônima (dado o rápido desenvolvimento alcançado por esta).

O dia da fundação do povoado foi marcado pelo alinhamento da primeira rua; uma rua plana e reta, no rumo norte-sul, batizada primeira rua de Filadélfia, hoje também conhecida como Rua Direita e oficialmente como Avenida Getúlio Vargas. Nos anos a seguir se destacaram as melhorias na infraestrutura e crescimento do comércio; em 1854 foram construídos grandes armazéns e em 1858 foram abertas estradas ligando povoados. Em 1856 chegam os primeiros descendentes de alemães e suíços, vindos através de anúncio publicado na Alemanha convocando colonizadores que teriam amparo por parte da “Companhia Mucuri”; que muito colaboraram na construção das estradas. A estrada ligando Filadélfia ao povoado de Santa Clara foi a primeira rodovia do interior do Brasil, tendo sido inaugurada em agosto de 1857, tinha cerca de 170 km e trafegavam por ela uma média anual de 40 carros particulares puxados por bestas, 200 carros de boi e 400 lotes de burros (1859).

Evolução administrativa e história recente
Àquela época estimava-se uma população de cerca de 600 habitantes e 130 domicílios, sendo que muitos saíam da cidade em decorrência dos constantes problemas com epidemias de doenças tropicais e ataques dos índios botocudos. Do povoado de Filadélfia, fundado oficialmente em 7 de setembro de 1853, foi criada a freguesia com a denominação de Nossa Senhora da Conceição da Filadélfia, pela lei provincial nº 808, de 3 de julho de 1857. Pela lei provincial nº 2486, de 9 de novembro de 1878, é criada a vila com o nome de Teófilo Otoni, em homenagem a Theophilo Benedicto Ottoni, tendo se desmembrado de Minas Novas.

Nos anos seguintes ocorreram a criação e emancipação de vários distritos de Teófilo Otoni. Atualmente restam seis, sendo eles: Crispim Jaques, Mucuri, Pedro Versiani, Rio Pretinho, a Sede e Topázio. A última alteração territorial ocorreu pela lei estadual nº 10703, de 27 de abril de 1992, quando emancipou-se o distrito de Frei Gonzaga (atual cidade de Novo Oriente de Minas).

No decorrer do século XX a cidade continuou a se destacar no ramo da extração de pedras preciosas, sendo reconhecida hoje como a “Capital Mundial das Pedras Preciosas”. Sedia anualmente feiras e exposições do ramo e atrai ainda mercado consumidor de outros países, sendo que o uso de recursos tecnológicos tem sido cada vez mais aplicado na extração dos minerais. Estando situada nordeste do estado de Minas Gerais, no Vale do Mucuri, é considerada como centro macro-regional.

Cultura e Lazer

Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Teófilo Otoni, juntamente ou não com instituições locais, passou a investir mais no segmento de festas e eventos. A Feira Internacional de Pedras Preciosas (FIPP), realizada desde 1989, atrai investidores, consumidores e curiosos de todas as regiões do Brasil e de diversas partes do mundo a fim de conhecer a imensa variedade de pedras preciosas que são extraídas e lapidadas na região. O TeóFolia é o principal carnaval fora de época do nordeste mineiro, organizado anualmente desde 2004 em setembro ou outubro, contando com a participação de artistas regionais ou mesmo nacionalmente conhecidos e bandas de axé e sertanejo elétrico, tais como Ivete Sangalo e Parangolé, sendo que em algumas edições chega a receber cerca de 20 mil pessoas. Outro evento é a Festa da Descendência Alemã (Fest Der Deuteschen Abstammung), organizada pela Associação dos Descendentes de Alemães em Teófilo Otôni (ACDATO) anualmente em julho, em homenagem ao dia municipal da Dia da Colônia Alemã, celebrado em 23 de julho. Conta com apresentações artísticas de danças e músicas típicas, concursos de beleza e mostras de artesanato e flores.

A cidade é terra natal de alguns artistas que obtiveram relevância regional, nacional ou mesmo internacional, tais como o cantor e compositor Geraldo Nunes, o cantor sertanejo Léo Magalhães, o jornalista e artista Léo Áquilla, o cantador, violeiro e compositor Pereira da Viola e o já falecido compositor e escritor Vicente Amar.

Artes cênicas e atrativos arquitetônicos
Na área das artes cênicas se destaca a realização anual do Festival de Teatro de Teófilo Otoni (FESTTO). É organizado pela prefeitura de Teófilo Otoni, através da Secretaria de Educação e Cultura, em parceria com o Serviço Social do Comércio de Minas Gerais (SESC/MG), o Instituto Doctum e o Grupo In-Cena, havendo a realização de espetáculos nacionais gratuitos, oficinas e debates abertos à população. A cidade conta com apenas um teatro, o Cine Teatro Vitória, que foi construído em 1944 e hoje conta com capacidade para 600 expectadores.

Além do teatro, há outros atrativos arquitetônicos. O Prédio da CEMIG foi inaugurado oficialmente em 29 de fevereiro de 1928, inicialmente como uma escola elitizada (o Ginásio Mineiro) que foi fechada em 1943 e reaberta em 1947 com o nome de Colégio Mineiro. A instituição se mudou para outro prédio em 1967, dando lugar à Fundação Universidade do Nordeste Mineiro (FUNM), que também se mudou para outro local em 1979. Desde então o prédio pertence à CEMIG, sendo hoje patrimônio histórico do município. Em frente ao prédio está a Praça Germânica, construída em homenagem às colônias alemãs que chegaram à cidade em 1856. Suas estátuas representam uma família de alemães que chegaram junto às colônias. Também há a Igreja Matriz, a Igreja Bom Jesus e a Praça Tiradentes, que abriga uma antiga Maria Fumaça que pertencia à extinta Estrada de Ferro Bahia e Minas (EFMB).

Esportes

A Secretaria de Esporte e Lazer é o órgão subordinado à prefeitura que tem função de organizar, planejar e prestar fomento ao setor esportivo de Teófilo Otoni. A cidade conta com equipes de diversos esportes, que por vezes se destacam ao conquistarem títulos regionais, estaduais ou mesmo nacionais, tais como basquetebol, voleibol, handebol e futebol de salão. Também é comum, principalmente entre a população jovem, a prática de esportes radicais, como skate, BMX e patins em linha. Dentre os espaços desportivos se destaca o Ginásio Joaquim Nunes, a “Praça de Esportes”, com quadras de futsal, vôlei, basquete e handebol.

O principal time de futebol da cidade é o América Futebol Clube, que foi fundado em 12 de maio de 1936 e manda seus jogos no Estádio Nassri Mattar, que tem capacidade para cerca de 5 mil pessoas. O América de Teófilo Otoni, como a equipe é mais conhecida, teve sua maior fama no Campeonato Mineiro de 2011, onde alcançou a quarta colocação, sendo o clube que revelou o atacante Fred, destaque do Fluminense. Outros futebolistas relevantes naturais do município são Abelardo, Toninho Almeida, Bruno di Pietro, Fahel e Flávio Guedes.

Galeria de Fotos de Teófilo Otoni

 

Vídeo sobre a cidade de Teófilo Otoni

Mapa da cidade de Teófilo Otoni