O Tribunal de Justiça de Minas Gerais e Suas Determinações
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) tomou uma decisão importante ao solicitar que o município de Teófilo Otoni e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) implementem medidas decisivas para lidar com as questões ambientais e de saneamento que afetam o Córrego Aeroporto Ramo B, localizado no bairro São Jacinto. Essa ação foi motivada por um recurso do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e inclui prazos estabelecidos para a apresentação de planos de recuperação do córrego e do reassentamento das famílias que estão às suas margens.
O Histórico de Problemas no Córrego Aeroporto
O Córrego Aeroporto enfrenta uma situação crítica devido ao despejo de esgoto doméstico não tratado que persiste há quase 20 anos. Além disso, parte de suas margens foi ocupada por construções, complicando ainda mais a situação ambiental. O recurso do MPMG foi necessário após a primeira instância ter negado pedidos relacionados a uma Ação Civil Pública que visava معالجة esses problemas.
Planos de Reassentamento e Como Serão Implementados
Uma das principais determinações do TJMG é que a Prefeitura de Teófilo Otoni deve, em um prazo de 120 dias, elaborar um plano de reassentamento para as famílias que habitam as margens e o leito do córrego. Este plano deve incluir diversas etapas:

- Cadastramento Socioeconômico: Coletar informações sobre os moradores que precisam ser reassentados.
- Alternativa Habitacional Segura: Definir onde essas famílias poderão ser realocadas de forma segura.
- Auxílio-Moradia Temporário: Prover suporte financeiro temporário para a nova habitação.
- Cronograma de Transferência: Estabelecer uma linha do tempo para a mudança das famílias.
Recuperação Ambiental: O Que Está em Jogo?
Além das medidas de reassentamento, o TJMG também exigiu que o município e a Copasa apresentem, em até 90 dias, um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD) para o córrego e suas margens. Este projeto deve incluir:
- Anotação de Responsabilidade Técnica (ART): Garantir que as ações estejam sob supervisão técnica adequada.
- Medidas de Reposição da Vegetação Ciliar: Recobrir as margens com vegetação nativa para restaurar o ecossistema.
- Recuperação do Fluxo Natural das Águas: Trabalhar para restabelecer as características naturais do córrego.
- Restaurar Funções Ecológicas: Assegurar que a área desempenhe novamente seu papel ecológico vital.
Prazos Estabelecidos pelo TJMG
É importante notar que todas essas ações têm prazos rigorosos. O TJMG não somente determinou os prazos acima mencionados, como também exigiu que o município atualize, em 90 dias, seu Plano Municipal de Saneamento Básico. Este documento está desatualizado desde 2014 e deve ser enviado para as autoridades competentes, além de ser apresentado à Justiça.
O Papel do MPMG na Ação Civil Pública
A atuação do MPMG neste caso teve início em 2012, após relatos de moradores do bairro São Jacinto sobre problemas com esgoto a céu aberto e alagamentos. Um abaixo-assinado de 140 residentes em 2007 já havia alertado as autoridades sobre essas questões. O MPMG trabalhou persistente e ativamente para responsabilizar a Prefeitura e a Copasa, que frequentemente apresentavam versões contraditórias sobre quem deveria resolver o problema.
Consequências da Poluição no Córrego
A situação crítica do córrego foi corroborada por diversos relatórios técnicos. Um documento recente do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), realizado em 2023, identificou altos níveis de Escherichia coli e nitrogênio na bacia do córrego. A Polícia Militar de Meio Ambiente também registrou ocupações irregulares e pontos de descarte de efluentes ao longo do curso d’água. Além disso, a Central de Apoio Técnico do MPMG (Ceat) relatou que havia construções sendo realizadas sobre o próprio leito do córrego, aumentando o risco de alagamentos e erosões.
Compromissos da Prefeitura e Copasa
As autoridades devem encarar as ações determinadas pelo TJMG com seriedade. A atualização do Plano Municipal de Saneamento e o desenvolvimento do PRAD são passos fundamentais para a recuperação do ambiente. Além dessas medidas, o MPMG também solicitou que as instituições sejam responsabilizadas com uma multa de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, cujo valor deverá ser investido em projetos de proteção e recuperação ambiental na região afetada.
A Importância da Vegetação Ciliar
A restauração da vegetação ciliar é um aspecto crítico do PRAD. Essa vegetação desempenha um papel crucial na proteção das margens do córrego, prevenindo erosões, filtrando poluentes e proporcionando habitat para diversas espécies. Portanto, sua recuperação é vital para restaurar a saúde ecológica da área.
Futuro do Saneamento Básico em Teófilo Otoni
A expectativa é que, com as intervenções do TJMG e a ação do MPMG, o futuro do saneamento básico em Teófilo Otoni melhore significativamente. A implementação de um sistema adequado de esgotamento sanitário e a recuperação ambiental do córrego são passos essenciais não apenas para a melhoria da saúde pública, mas também para a valorização ambiental da região. A atenção ao desenvolvimento sustentável deve ser uma prioridade contínua para todos os envolvidos.


